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Como dar banho no meu gato

Apesar dos diversos motivos para evitar dar banho nos felinos, em alguns casos é necessário! Confira quando é recomendado e dicas de como fazer.


Aaahh!!! Aí já é demais! Vou ter que descrever sessões de tortura agora? Ôh, Miriam? De quem foi a ideia desse tema? Tá, tá! Não precisa se justificar. Posso muito bem controlar meus medos e ser absolutamente profissional. Opa! Medo não que Ayla, a intrépida, não tem medo de na-da! Acontece que banho do tipo água, shampoo, chuveiro, banheira, toalha e secador é um conceito que nós, felinos, dispensamos. Preferimos mil vezes nosso conceito de banho, ou seja: minha língua áspera retirando sujeirinhas e pelos mortos de cada canto do meu corpinho, um trabalho paciente e metódico, e pronto! Estamos limpos.


Pra ser muito sincera, você até vai ver uns videozinhos no TikTok mostrando uns gatos que gostam de banho (óbvio que tenho TikTok, Miriam! É você quem vive em Jurassic Land. Eu sou moderna!), mas esses gatos que ficam dentro d’água fazendo cara de prazer são a vergonha da espécie! Traidores! Afoguem os infiéis! Ops, desculpe... me empolguei. O fato é que somos muito higiênicos e, aversões à parte, há motivos importantes para pensar duas vezes antes de nos submeter a sacrifícios ignóbeis. Exagerada nada, Miriam. É importante defender meus pontos de vista.


Motivos para não dar banho no meu gato


Um dos motivos, e bem importante, é que prezamos pelo nosso próprio cheiro. Sim, caro leitor, você pode não sentir, mas cada gato tem seu cheiro único, inebriante, que nos ajuda a nos reconhecermos e nos relacionarmos com os outros de nossa espécie. O tal banho como vocês humanos conhecem elimina nosso odor natural, e aí, o famoso cheirinho de banho recém tomado que vocês dizem ser delicioso (eca! Mil vezes eca!) pode gerar um enorme desconforto no seu bichano. Ele pode acabar se lambendo excessivamente para dar um jeito no estrago que sabões, shampoos e condicionadores fazem com nosso maravilhoso aroma pessoal, e lambidas excessivas podem gerar problemas nas glândulas salivares ou mesmo bolas de pelo grandes demais, além de esculhambar com nossa rotina. Lembrando que rotina é uma das coisas mais importantes na vida de um gato.




Outro motivo é o desserviço que um banho pode fazer à nossa pele. Sim, porque ao usar um shampoo, por mais que você escolha um que seja bio-sei-lá-o-que, vegano, fofo e sem corantes, ele vai retirar a proteção natural de nossa pele e pelos feita por secreções especiais que acabam eliminadas como se fossem sujeira indesejada. Olha o absurdo disso, Miriam! Sabe o trabalho que dá produzir essas secreções tudo de novo depois? Pois então, até conseguirmos recobrir pele e pelo com nosso escudo protetor particular (relaxe, é inodoro e inofensivo para humanos), ficaremos expostos a dermatites e outros problemas de pele, especialmente se não formos secados adequadamente e, sejamos francos, quem aí gosta de secar um gato? Ganhar lindas cicatrizes feitas por unhas afiadas e apavoradas enquanto tenta segurar o bichano com uma mão e o secador barulhento com outra mão?



Chegamos a um terceiro motivo. Um banho pode ser terrivelmente estressante para um bigodinho, e stress em gatos – isso você já sabe – acaba sendo sinônimo de visitas àquele inominável ser de jaleco, todo cheio de sorrisos, que a Miriam trata sempre com simpatia e eu vou logo mordendo pra tentar evitar agulhadas, comprimidos e exames. Tá, Miriam, eles já entenderam, mas vou ser mais clara! O stress pode adoecer seu gato, às vezes seriamente. Sei que ninguém aí do outro lado da telinha é tão inteligente quanto eu, mas acho que vocês todos conseguem compreender o quanto um banho pode ser um martírio para um gato que não está acostumado a um combo do tipo: barulho do chuveiro + água muito quente ou muito fria + cheiro de shampoo + esfregações estranhas + água de novo + toalhas que apertam, depois friccionam nosso pelo + vento quente com barulho infernal.


Sendo assim, querido tutor, eu, se fosse você, evitaria dar banho em seu gato a não ser que fosse realmente necessário. Sim, Miriam! Claro que há situações em que gatos precisam de banhos. Achou que eu fosse ser contra e pronto? Eu não sou radical, minha filha!


Quando o banho é recomendado em gatos



Bom, se o seu bigodinho tivesse acesso à rua – o que eu sei que não acontece, afinal, você é um tutor esclarecido -, banhos eventuais poderiam ser necessários para limpar sujeiras acumuladas dos lixos revirados ou dos pássaros que ele devoraria por aí. O que, Miriam? O humano que deixa o gato sair pra rua não imagina que ele se meta nessas roubadas? Ah! Santa ignorância, Batman! (Aliás, meu super-herói preferido depois da mulher gato, claro).


Se mesmo sem sair pra rua seu gato se sujar com algum produto tóxico que ele mesmo não possa remover com lambidas, um bom banho também será necessário. Miriam, posso contar do dia em que o Valentim virou o balde de tinta e ficou azul? Nunca ri tanto! Parecia um Smurf gordo e peludo.


Outra necessidade ocorre quando o bichano desenvolve alguma doença dermatológica. Nem todas são tratadas com banhos periódicos, mas quando ocorre, os banhos são terapêuticos com produtos específicos recomendados pelo veterinário. E é claro que para o caso de banhos inevitáveis, tia Ayla tem diquinhas valiosas para passar!

  1. A não ser que seu bichano vire o demônio da Tasmânia na hora do “segurar, molhar, esfegar”, é sempre preferível banhá-lo em casa, no ambiente que ele conhece, com humanos aos quais ele já está acostumado, do que em pets com mil cheiros e barulhos estranhos que vão estressá-lo ainda mais.

  2. Tenha cuidado com fatores como a temperatura da água (teste na sua mão antes. Se estiver quase frio pra você, estará gelado pro seu gato, pois nossa temperatura é maior que a sua); evite barulhos desnecessários; jatos d’água direto no corpo (use uma canequinha pra ir derrubando a água sobre ele aos poucos) e água nas orelhas (tenha muito cuidado para não deixar escorrer água pra dentro do ouvido, se não, vai acabar arranjando uma otite pro seu gato).

  3. Separe tudo o que você vai usar (shampoo, caneca, toalha, etc) e coloque bem à mão. Lembre-se que seu bichano não vai curtir, não vai ser relaxante para ele (nem pra você, hehehe), então, quanto mais rápido e eficiente você for, melhor.

  4. Se o gato não for acostumado a banhos desde pequeno, provavelmente vai odiar esse momento de limpeza felina e deixar isso bem claro esperneando, arranhando, miando ou até uivando. Então, esteja preparado para ter uma experiência um tanto estressante, mas lembre-se que seu stress é problema seu, portanto, controle a ansiedade e não passe a seu gato mais desconforto do que ele já está sentindo, ok?

  5. Você pode colocar uma peiteira (nele, não em você) e prendê-la na torneira do box pra evitar que seu gato incorpore o The Flash e desapareça enxarcado pra cima do armário. Use também um tapete antiderrapante onde ele possa fincar as unhas com vontade, já que vai estar assustado. Assim você salva seu braço, o bichano vai se sentir um pouco mais seguro e existe uma chance de ele não querer escalar você e a cortina do box pra se escafeder do martírio. Não tô assustado ninguém, Miriam! Tenho que ser realista, senão depois me processam por propaganda enganosa.

  6. Use apenas os produtos recomendados pelo veterinário. Nada de shampoo pra cachorros (não, não é tudo a mesma coisa), nem condicionador de humanos para aumentar o brilho e diminuir o frizz. Esses produtos podem acabar irritando a pele, causando coceira, conjuntivite e perda de pelo.

  7. Escolha dias quentes e nem pense em usar secador se não quiser traumatizá-lo de forma irreversível! Use apenas toalhas bem absorventes e deixe-o terminar de se secar sozinho.

  8. Se o seu bigodinho tem pelos longos ou é assustado demais, talvez a melhor opção para banhos realmente necessários seja levá-lo a um petshop de confiança onde profissionais experientes possam se encarregar da tortura. Opa! Banho! Eu quis dizer “se encarregar do banho”.


Frequência e recomendações finais


Finalmente estou encerrando esse assunto! Acho que deu pra entender que banhos rotineiros, como vocês e seus cães tomam, são desnecessários pra nós, né? Não, Miriam! Não fiz campanha contra. Qualquer veterinário vai dizer tudo o que eu disse aqui. A diferença é que eu sou mais didática e explico melhor.


No dia a dia, uma boa escovação substitui o banho molhado, mas se você quer mesmo insistir nessa sandice de banho sem necessidade, tente acostumar sua pobre vítima, Bichano! Eu quis dizer seu bichano, desde pequeno. Comece a dar banho nele a partir da fase de socialização, que se inicia aos 3 meses de idade. Se deixar pra quando o gato já for grandinho, as chances de ele odiar você, seu chuveiro, o shampoo, a água, etc, são de 100%.


E pra terminar, algo muito importante! Lembre-se que uma alta frequência pode irritar a pele sensível de seu bichano, por isso, os veterinários recomendam no máximo um banho por mês. E olhe lá, heim, Miriam! Me lembre de alterar essa parte depois. Danem-se os veterinários. Vou recomendar um banho por ano, no máximo dos máximos!


E agora com licença. Tá na hora do meu banho de língua diário.


Miau pra vocês!

Tchau, Miriam! Sai daqui. Preciso de privacidade pra lamber minhas partes íntimas.





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